“Escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”

Confúncio.

Já todos ouvimos ou lemos esta frase não sei quantas vezes. E já muitos (eu incluída) pensámos “que cliché. se pudesse fazer só o que gosto. e as contas para pagar?”

Mas ela está muito certa. E certa em muitos níveis.

Devemos sim procurar fazer algo que nos dá prazer, que nos desafia. E se assim não é, perceber o porquê. É o trabalho? É a organização? São as pessoas? Somos nós e a fase da vida em que estamos?

Mas acima de tudo deveremos perceber o que queremos. O que vos move?

Ter objetivos claros definidos, seja a nível profissional ou pessoal, definir uma estratégia e mãos à obra. Pode ser uma mudança de carreira, trabalho social ou um hobbie. Interessa que tenha sentido para nós e que nos faça sentir que contribuímos para algo.

E por fim que tudo isto esteja em equilíbrio. Nunca antes se falou tanto de saúde mental e de burnout como nos últimos tempos. Stress crónico. Uma das doenças que mais nos afecta e que se manifesta de formas indirectas: não conseguir perder peso, não conseguir desligar depois de “sair” do trabalho, ver problemas e ameaças em todos os lados, querer estar só.

Vamos a contas?

Deveria haver uma cadeira sobre contas poupança de gestão do lar. Ou será que em tempos já houve?

Poupar. Gastar. Comprar. Poupar. Controlar. O que tem isto a ver com o ser saudável?

O mesmo que escolher aquilo que comemos.

Por duas razões: porque não precisamos gastar uma fortuna para comer bem; porque se pararmos para pensar podemos estar a compensar insatisfação em compras, tal com o compensamos em alimentos.

Sou formada em Economia. Mas sou péssima para Poupanças.

Por um lado, demorei algum tempo (talvez até ter filhos) para tomar consciência da importância de poupar. Confesso que vivia muito das compras emocionais. E em diferentes fases da minha vida notei esse padrão.

Por outro lado, sou completamente avessa ao risco e não me aventuro em grandes escolhas de investimento. Ainda que tenha tido uma cadeira de mercados financeiros com o nosso Ministro das Finanças :).

Mas desde que fui mãe, desde que mudei o padrão do que comemos, comecei por gastar muito. Comprar tudo o que fosse “saudável” e “super-alimento”. Mas comecei a fazer contas. Tomar consciência. Perceber que não era sustentável. Otimizar as compras: quer na compra de local, sazonal, animais inteiros ou granel.

O planeamento ajuda-me a controlar as listas de compras. As escolhas conscientes a não gastar um dinheirão.

Esta semana vou planear as férias. As compras. As refeições. Os snacks para a praia. E vou partilhar convosco dicas para poupar e comer bem.

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Espiritualidade? Conexão? Presença?

Estar. Só estar. Focado no Agora. Aquilo que as crianças conseguem fazer durante horas quando estão focadas numa atividade e nós adultos parece que perdemos essa capacidade.

Vamos crescendo e o “Foi assim”, o “Passado”, as memórias passam a ocupar grande parte do nosso tempo. Muitas das vezes em forma de “lamento”.

Continuamos a crescer e o “Será assim”, “Se fosse assim”, “Gostava que…”, as expectativas passam a ocupar o restante tempo. Muitas vezes em forma de filme e ponderar mil e uma hipóteses. Muitas vezes a pensar demais sobre o que poderá vir e como o iremos fazer.

Demorei algum tempo a perceber (e estou longe de ser entidade) este conceito do Agora. Da atenção plena. Do Estar. Da conexão. E ainda o falho muitas vezes. Fujo para o que foi e temo o que há-de vir.

Mas começo a perceber e a viver o Agora com mais intenção. Porque o Agora daqui a pouco já foi. E o que vem entretanto já é Agora. Confuso? Mas na verdade simples.

Esta semana vou começar com intenção e atenção plena uma prática de meditação. Um eixo que sinto falta para me equilibrar no dia-a-dia.

Com passos pequenos, até porque o mais importante é o que aprendemos no caminho que fazemos e não a procura de perfeição no que fazemos.

Arrumar os cantos da casa

Nunca em tempo algum achei que fosse passar tanto tempo em casa como na atual situação.

A nossa casa deixou de ser o local para onde voltamos, o “porto seguro”, para ser o centro de tudo. Pelo menos no meu caso tem sido assim.

Escritório, ginásio, local de descontração, palco de brincadeiras, cozinha que serve refeições de família e que serve de restaurante/cantina durante a semana…

E neste contexto saber separar as zonas onde se passa cada momento do dia, onde representamos diferentes papéis, é crucial para a nossa sanidade mental.

Somos dois em teletrabalho, mas optámos por não partilhar open space. Eu fiquei com a sala. Ele ficou no quarto. Corajoso, porque eu não conseguiria trabalhar onde durmo. Iria estar deitada e constantemente a tentar resolver os temas que não ficaram fechados durante o dia. 🙂

Outro grande desafio reside no balanço entre arrumar tudo ao final do dia para que não se espalhe a bagunça e ao mesmo tempo relaxar quando as crianças viram tudo de pernas para o ar.

Vou acreditar que aquele ar arranjadinho volta um dia, quando as crianças crescerem.

Até lá é deixá-las estar e semi-cerrar os olhos: imaginar tudo arrumado mesmo que não esteja!