“Desejo muita saúde”

Deve ser uma das frases mais desejadas na nossa cultura. Como se a saúde for um mero acaso. Dependesse da sorte.

Na verdade até de depende na medida em que nos dias de hoje pouco cuidado temos com a dita cuja. Damos a “saúde” por garantida e levamos uma vida com abundância de coisas não muito saudável, quer no prato da mesa quer no prato da vida.

Ele é o açúcar em excesso, os processados em excesso, o álcool em excesso… na verdade de tudo um pouco em excesso. Porque vivemos numa tal abundância que é difícil não nos excedermos.

Mas também é o stress em excesso, o trabalho em excesso, a exigência (muitas vezes de nós próprios) em excesso… e no meio de tudo isto esquecemos que só temos uma oportunidade de viver. Não interessa se acertamos ou não no que desejamos, porque qualquer caminho que se faça é sempre sem volta.

Em vez de desejarmos “muita saúde” deveríamos criar mais condições para a saúde. A nossa e a dos que estão mais perto de nós.

Façamos uma pausa nesta correia dos dias e vamos lá escolher os amigos da saúde.

Eu estou para os outros e os outros estão para mim

Até há muito pouco tempo atrás eu achava que tinha de estar para os outros. E que todos tinham se estar para o outro. Pensar primeiro no outro e depois em mim. Qual acto de puro altruísmo.

Até porque a história reza e assim nos ensinam a ser. A dar. A não pedir (shiuuu que é feio!)…

Mas a verdade é que se não estamos para nós. Como podemos estar verdadeiramente para os outros?

Se não nos amamos. Não nos respeitamos. Não procuramos cuidar de nós. Que moral temos para amar, respeitar e cuidar dos outros?

Não consegues “viver” com a pessoa que és, vais conseguir viver com outros? Não faz sentido.

Aprendi a estar primeiro. Amo os meus filhos mas se eu não estiver bem sei que não vou estar bem com eles nem ser a melhor para eles.

A aprendizagem mais recente é que sim, também preciso dos outros. E de formas muito distintas.

Preciso dos filhos que me amam de forma incondicional e me vêem sempre perfeita.

Preciso do companheiro que me apoia e me permite enamorar.

Preciso dos amigos a quem conto tudo. Que estão lá para apoiar as lágrimas e celebrar nos sucessos.

Preciso dos amigos dos almoços e das tardes de gargalhadas.

Preciso dos colegas de trabalho com quem troco ideias.

Preciso dos desconhecidos com interesses comuns que puxam pela minha criatividade.

Cada relação. Cada pessoa tem um papel diferente. É importante saber distinguir estes papéis para não esperarmos tudo das poucas pessoas que nos são mais próximas. Porque simplesmente podem não conseguir responder às nossas necessidades.

Eu estou para os outros. E os outros estão para mim.

Rir para não chorar? Ou simplesmente sorrir

Hoje na praia com os miúdos, com calma, tempo “parado” e apenas a estar dei por mim a gargalhar. Com aquelas pequenas coisas que elas dizem como sendo verdades absolutas.

Na correria do dia a dia são poucas as vezes em que realmente riu com vontade. Não o sorrir por simpatia. Esse não encaixa neste “rir” que vem se dentro. Daquele que é tão característico das crianças.

Isto de sermos adultos e termos a cabeça a mil: o trabalho, o jantar, o banho dos miúdos, a marmita da escola, a conta que tem de ser paga e está na data limite, isto e aquilo… passamos o dia numa correria e lá nos vamos esqueço do prazer de uma boa gargalhada ou de simplesmente sorrir.

Mas é bom. Sabe bem e faz bem. Levanta a moral. E um excelente exercício é este de olhar para as crianças e ver e ouvir com presença como elas fazem. Sejam ou não os nosso filhos. Eles sabem rir. E contagiam.

Estudar ou não eis a questão?

Para ti: mulher, mãe, profissional dedicada, o quanto investes em ti?

Desde os tempos de escola o quanto investiste em ti?

Não nas formações inerentes à tua função enquanto profissional. Não nos workshops relacionados com o teu bebé. Mas em explorar outras coisas: aquele curso de inglês que sempre quiseste fazer (ou outra língua qualquer); aquele curso de decoração, de escalada ou de mergulho; as aulas de yoga, aprender cake design ou outra qualquer coisa.

Quando terminei a faculdade achei que um dia iria fazer um mestrado, uma pós-graduação ou um MBA. Simplesmente porque sim. Porque se a minha realidade até ali era estudar então isso teria de fazer parte da minha vida.

Conforme o tempo passou e o “ter filhos” se aproximou só pensava como seria impossível conciliar estudos, aulas, testes, com uma carreira, gerir a casa e ainda filhos. Depois de 10 minutos à procura de uma pós-graduação lembro-me, sem culpas, de ter pensado “deixa estar, um dia”.

Uns anos mais tarde comecei a pôr o “pé em seara alheia”. Procurar saber mais em áreas que não eram a minha “área natural”. E eis que descubro não só a paixão por aprender, mais criatividade em diferentes áreas, uma capacidade de organização para conciliar tudo (e desta feita com 3 filhos).

Mas e o que é isto das “áreas naturais”? Nada. Coisas da nossa cabeça e da forma como o nosso sistema de ensino nos prepara para sermos uma coisa. Quando a realidade do mercado de trabalho e a realidade do que nos faz feliz por vezes não tem nada a ver com essa “área natural”. E o que está bem? Querer sempre aprender: exercitar a nossa massa cinzenta, descobrir coisas coisas. Porque o que me apaixona hoje não é igual ao que me apaixonava há 20 anos e nem o será daqui a outros 20.

Por isso não deixem para amanhã aquela coisa que gostava de aprender mas que vos parece “fora de contexto”. Pode ser a coisa que afinal vos vai dar novo contexto, nova motivação.

Pensem em vocês acima de tudo. Mas já agora aproveitem para dar o exemplo aos pequenos seres que andam por essas casas: aprender e aprender com gosto. Sempre.

E se penso hoje no tal MBA… não, agora não me faz qualquer sentido, mas um dia não sei.