És criativ@?

Criatividade. Coisa que sempre achei que não tinha.

Pintas? não. Compões música/tocas? não. Fazes algum tipo de atividade artística? não. Lá se foi a criatividade.

Só que não. Porque ser criativo significa criar. Encontrar novas formas ou soluções para endereçar um tema, ultrapassar obstáculos, ser resiliente.

Ainda assim durante muito tempo não o consegui fazer/ser… sentia-me presa na rotina do dia-a-dia e com pouca capacidade para pensar diferente.

Sem perceber muito bem a relação entre as duas coisas foi quando comecei a escrever no blog e a criar na cozinha que noutras áreas da minha vida a criatividade “surgiu”. Como ser único que somos tudo está ligado e tudo se “contamina”, para o bem e para o “menos bem”.

E porquê a importância da criatividade? Não serve apenas para pensarmos fora da caixa e conseguirmos surpreender alguém com uma proposta disruptiva. Mas permite-nos sair da rotina e dar cor à nossa vida. Torna-la mais feliz e saudável.

Porque, inevitavelmente, quando estamos a criar sentimos que estamos a dar mais de nós.

Promover estes momentos de criatividade não deve ser deixado ao acaso. Conhecer-nos, implica saber o que nos inspira. O que nos permite criar. Respeitarmo-nos significa (também mas não só) reservar tempo para esses momentos de criação. Que contaminam e florescem para outras áreas da nossa vida.

A minha inspiração está, sem dúvida, na cozinha. A criar novos pratos, simples e saborosos.

Perfeita (im)perfeição

Durante muito tempo procurei ser a melhor, não melhor mas a melhor (percebo hoje que está muito relacionado com o que escrevi aqui sobre agradar).

Sentia isso na escola. Sentia isso no trabalho. E senti isso quando fui mãe. Mas nessa altura os desafios tornaram-se maiores. Porque querer ser a melhor mulher, mãe, profissional, dona de casa… tudo ao mesmo tempo é difícil. É cansativo. E na verdade, não faz sentido.

As redes sociais são tramadas e vieram aumentar esta sensação de competição e de não ser suficiente. Mostramos o que queremos. E tendencialmente mostramos o que é bom.

Mas na verdade deste lado está uma Mulher igual a tantas outras. Que não é mais, nem menos. Procura aprender com o que corre menos bem. Procura viver de forma menos intensa as emoções mais negativas. Procura partilhar ensinamentos do que corre bem na expectativa de ajudar outras famílias.

E aos 40 comecei a descobrir o quanto é perfeita está imperfeição que temos. Até porque ser perfeito ia ser apenas aborrecido… sem desafios… sem aprendizagens.

Hoje aceito (tem dias que é mais difícil) não só o que não controlo como o que até gostaria que fosse diferente.

Não procuro ser a melhor, mas procuro todos os dias aprender qualquer coisas e ser melhor.

Bio-Individualidade

“Cada um é como cada qual” já a minha avó dizia, poderia eu acrescentar a esta expressão (se bem que acho que nunca a ouvi dizer isto!).

Somos todos diferentes. Temos gostos distintos. Temos aspecto distinto. Temos feitios distintos.

Mas e porque é que achamos que devemos comer todos de igual forma? Que o serve para mim serve para ti. Que o que me faz perder peso é o teu “remédio santo”. Que o que me dá energia é o que te pode deixar mais dinâmico? Que eu precisar de comer um bife ao pequeno-almoço, tu também precisas…

Somos todos diferentes. Temos a nossa bio-individualidade. Não temos as mesmas necessidades, nem a resposta às que temos é dada da mesma forma.

Muitas vezes eu própria “julguei” e achei que a minha “forma” era a “forma certa”. Mas com o tempo (e porque estamos sempre a aprender) comecei a escutar o meu corpo e a perceber o que ele precisa. E o que o meu corpo precisa não é igual ao que o teu corpo precisa.

Quando me perguntam “o que devo comer? o que achas que é melhor?” dou algumas ideias e sugestões, mas com a premissa “isto é o que funciona para mim, deves tentar perceber o que funciona para ti” dentro (é claro) do que possa ser considerado comida de verdade ;).

E tu? Já cuidaste de TI hoje?

a·gra·dar 1

 – Conjugar
(a- + grado, vontade, gosto + -ar)
verbo intransitivo

1. Parecer bem ou corresponder ao que se espera. = SATISFAZER ≠ DESAGRADARverbo transitivo, intransitivo e pronominal

2. Causar ou sentir prazer, satisfação. = DELEITAR, GOSTAR ≠ DESAGRADARverbo pronominal

3. Sentir enamoramento por. = ENAMORAR-SE
“agradar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/agradar [consultado em 24-04-2021].

Este deve ser o verbo que a maioria de nós mais pratica no dia a dia. Agradar. Parecer bem ou corresponder ao esperado. Esperar, com isto, causar e sentir prazer e satisfação. Enamorar-se e levar a que se enamorem.

Os outros de nós.

Aos nossos pais com as notas escolares. Aos nossos chefes com as prestações e disposição no trabalho. Ao par que escolhemos com um jantar especial. Aos nossos filhos com mais aquela brincadeira. Aos nossos amigos com mais uma “saída” (agora nem tanto).

E a nós?

Muitas vezes esquecemos a pessoa mais importante na nossa vida: o EU.

Não somos preguiçosos porque não nos apetece estudar ou não gostamos do que estudamos.

Não somos menos dedicados porque não ficamos até mais tarde para mais uma reunião.

Não amamos menos porque o jantar ficou por favor.

Não somos pior mãe “se agora não com disposição” para mais um jogo.

Não deixamos de estar ali, se agora queremos estar sozinhos.

Saber reconhecer que precisamos de tempo para nós é reconhecer uma necessidade básica. Porque é isso que nos permite carregar baterias e estar pronto para dar mais.

Durante muito tempo não me coloquei em primeiro. Procurei nos outros a satisfação. Procurei agradar. Agora também procuro agradar, mas a mim, aos meus princípios e aos meus valores. Se eu estou bem, aí sim, eventualmente, tudo vai ficar bem. E eu seria uma melhor pessoa para todos os que me rodeiam.