Espiritualidade? Conexão? Presença?

Estar. Só estar. Focado no Agora. Aquilo que as crianças conseguem fazer durante horas quando estão focadas numa atividade e nós adultos parece que perdemos essa capacidade.

Vamos crescendo e o “Foi assim”, o “Passado”, as memórias passam a ocupar grande parte do nosso tempo. Muitas das vezes em forma de “lamento”.

Continuamos a crescer e o “Será assim”, “Se fosse assim”, “Gostava que…”, as expectativas passam a ocupar o restante tempo. Muitas vezes em forma de filme e ponderar mil e uma hipóteses. Muitas vezes a pensar demais sobre o que poderá vir e como o iremos fazer.

Demorei algum tempo a perceber (e estou longe de ser entidade) este conceito do Agora. Da atenção plena. Do Estar. Da conexão. E ainda o falho muitas vezes. Fujo para o que foi e temo o que há-de vir.

Mas começo a perceber e a viver o Agora com mais intenção. Porque o Agora daqui a pouco já foi. E o que vem entretanto já é Agora. Confuso? Mas na verdade simples.

Esta semana vou começar com intenção e atenção plena uma prática de meditação. Um eixo que sinto falta para me equilibrar no dia-a-dia.

Com passos pequenos, até porque o mais importante é o que aprendemos no caminho que fazemos e não a procura de perfeição no que fazemos.

Arrumar os cantos da casa

Nunca em tempo algum achei que fosse passar tanto tempo em casa como na atual situação.

A nossa casa deixou de ser o local para onde voltamos, o “porto seguro”, para ser o centro de tudo. Pelo menos no meu caso tem sido assim.

Escritório, ginásio, local de descontração, palco de brincadeiras, cozinha que serve refeições de família e que serve de restaurante/cantina durante a semana…

E neste contexto saber separar as zonas onde se passa cada momento do dia, onde representamos diferentes papéis, é crucial para a nossa sanidade mental.

Somos dois em teletrabalho, mas optámos por não partilhar open space. Eu fiquei com a sala. Ele ficou no quarto. Corajoso, porque eu não conseguiria trabalhar onde durmo. Iria estar deitada e constantemente a tentar resolver os temas que não ficaram fechados durante o dia. 🙂

Outro grande desafio reside no balanço entre arrumar tudo ao final do dia para que não se espalhe a bagunça e ao mesmo tempo relaxar quando as crianças viram tudo de pernas para o ar.

Vou acreditar que aquele ar arranjadinho volta um dia, quando as crianças crescerem.

Até lá é deixá-las estar e semi-cerrar os olhos: imaginar tudo arrumado mesmo que não esteja!

Porque me mexo?

Numa semana em que começa mais um desafio do Centro de Pré e Pós Parto (CPPP), escrevo sobre o que me move a mexer o esqueleto.

Há dias relembrei que eu fui a miúda da avaliação 2 a Educação Física no 1º período do 5º ano… E convenhamos tinha uns quilinhos a mais (hei-de escrever sobre isto em breve), mas o sistema de ensino que me acompanhou até ao 12º ano nunca foi muito de incentivar mais do que os rapazes a jogar à bola.

Durante a faculdade ainda fiz umas aulas de grupo recorrentes durante um ano. Quando comecei a trabalhar não passei do mesmo e já perto dos meus 30 comecei a correr esporadicamente.

Mas foi depois de fazer o pós parto da big M, e porque o CPPP abriu aulas de grupo para quem já tinha terminado o pós-parto, que consegui manter uma rotina estável.

E o exercício físico é como a alimentação. Faz parte de um estilo de vida saudável mas precisa de consistência para se manter. E precisamos de cerca de 60 a 90 dias para transformar uma rotina num hábito. Por isso tantas pessoas fazem “dietas”, inscrevem-se em ginásios, mas passado um a dois meses começam a quebrar a rotina e, na maioria dos casos, voltam ao antigamente.

O CPPP teve um papel fundamente na minha mudança de hábitos alimentares e de exercício. Pelos desafios que foi lançando e pelo grupo de mulheres e mães fantásticas que se apoiam mutuamente.

Estes desafios evoluíram e deixaram de se focar apenas na alimentação. Parabéns por isso! Mais um empurrão a tantas mulheres e famílias para um estilo de vida mais saudável.

Eu, Mãe, me confesso…

Chego ao final do fim-de-semana, sentada no sofá a pedir mais um dia. Um dia com as crias na escola e com direito ao verdadeiro descanso.

Não me levem a mal. Adoro os miúdos, mas sei onde estão os meus limites e reconheço, em mim, as amigas que há uns anos me diziam que chegavam a domingo ansiosas pela segunda-feira. 🙂

A loucura do dia-a-dia, não deixa grande espaço para este descanso. E que falta que ele faz.

Um tempo para nós. Sem ser só aquelas 2 horas à noite, em que na verdade até já devia estar a dormir.

Eu, Mãe, me confesso:

Preciso de um fim-de-semana a 1. E de um fim-de-semana a 2.

Preciso de dias sem pensar em almoços e jantares. Sem estar sempre alguém a dizer tenho fome.

Preciso de dias em que “ops, o frigorífico está vazio… tratamos disso amanhã”.

Preciso de dias sem ter de dar banhos, a não ser que eu queira tomar banho.

Preciso de dias em que o único rabo que vou limpar é o meu :P.

Preciso de dias sem ler histórias infantis e estar 2 horas a convencer seres pequenos que chegou a hora de dormir.

Bem sei que um dia vou ter todos estes dias e sentir a falta dos que tenho hoje. Mas para viver bem estes dias eu, Mãe, me confesso preciso de tempo para mim.