Rir para não chorar? Ou simplesmente sorrir

Hoje na praia com os miúdos, com calma, tempo “parado” e apenas a estar dei por mim a gargalhar. Com aquelas pequenas coisas que elas dizem como sendo verdades absolutas.

Na correria do dia a dia são poucas as vezes em que realmente riu com vontade. Não o sorrir por simpatia. Esse não encaixa neste “rir” que vem se dentro. Daquele que é tão característico das crianças.

Isto de sermos adultos e termos a cabeça a mil: o trabalho, o jantar, o banho dos miúdos, a marmita da escola, a conta que tem de ser paga e está na data limite, isto e aquilo… passamos o dia numa correria e lá nos vamos esqueço do prazer de uma boa gargalhada ou de simplesmente sorrir.

Mas é bom. Sabe bem e faz bem. Levanta a moral. E um excelente exercício é este de olhar para as crianças e ver e ouvir com presença como elas fazem. Sejam ou não os nosso filhos. Eles sabem rir. E contagiam.

Estudar ou não eis a questão?

Para ti: mulher, mãe, profissional dedicada, o quanto investes em ti?

Desde os tempos de escola o quanto investiste em ti?

Não nas formações inerentes à tua função enquanto profissional. Não nos workshops relacionados com o teu bebé. Mas em explorar outras coisas: aquele curso de inglês que sempre quiseste fazer (ou outra língua qualquer); aquele curso de decoração, de escalada ou de mergulho; as aulas de yoga, aprender cake design ou outra qualquer coisa.

Quando terminei a faculdade achei que um dia iria fazer um mestrado, uma pós-graduação ou um MBA. Simplesmente porque sim. Porque se a minha realidade até ali era estudar então isso teria de fazer parte da minha vida.

Conforme o tempo passou e o “ter filhos” se aproximou só pensava como seria impossível conciliar estudos, aulas, testes, com uma carreira, gerir a casa e ainda filhos. Depois de 10 minutos à procura de uma pós-graduação lembro-me, sem culpas, de ter pensado “deixa estar, um dia”.

Uns anos mais tarde comecei a pôr o “pé em seara alheia”. Procurar saber mais em áreas que não eram a minha “área natural”. E eis que descubro não só a paixão por aprender, mais criatividade em diferentes áreas, uma capacidade de organização para conciliar tudo (e desta feita com 3 filhos).

Mas e o que é isto das “áreas naturais”? Nada. Coisas da nossa cabeça e da forma como o nosso sistema de ensino nos prepara para sermos uma coisa. Quando a realidade do mercado de trabalho e a realidade do que nos faz feliz por vezes não tem nada a ver com essa “área natural”. E o que está bem? Querer sempre aprender: exercitar a nossa massa cinzenta, descobrir coisas coisas. Porque o que me apaixona hoje não é igual ao que me apaixonava há 20 anos e nem o será daqui a outros 20.

Por isso não deixem para amanhã aquela coisa que gostava de aprender mas que vos parece “fora de contexto”. Pode ser a coisa que afinal vos vai dar novo contexto, nova motivação.

Pensem em vocês acima de tudo. Mas já agora aproveitem para dar o exemplo aos pequenos seres que andam por essas casas: aprender e aprender com gosto. Sempre.

E se penso hoje no tal MBA… não, agora não me faz qualquer sentido, mas um dia não sei.

E como vai o jantar?

Há dias em limpeza e manutenção do blog, esbarrei com um texto escrito em 2018 que não cheguei a publicar.

Escrevi sobre a dinâmica dos serões e a ginástica que fazemos entre sair do trabalho, chegar a casa, jantares, banho e dormir. Escrevi sobre como antes de ter filhos eu era das que olhava de lado para quem se “pirava” às 18:00, mas que (naquele tempo) eu tinha passado a fazer parte “desses”. Dos que não podiam estar mais tempo no escritório porque tinham de apanhar as crianças na escola, rumar a casa e entrar na roda vida dos finais de dia.

Escrevi como havia dias em que conseguíamos jantar às 19h30 para poder estar a deitar as crianças às 21h00.

Escrevi como havia dias com calma e tempo para brincar e como havia dias que a calma não chegava.

Confesso que não me lembro porque não publiquei o texto. Talvez por pensar nele mais como um desabafo. E quem quer ouvir desabafos?

Mas a verdade é que esses dias continuam assim e deveriam ser mais assim para mais pessoas. Não porque temos de ir a correr enfiar os miúdos na cama cedo, mas porque precisamos todos de mais tempo em família. De mais tempo com quem é realmente nosso.

Hoje os meus dias não são feitos a sair de um escritório, mas a sair de um tele-trabalho. Para chegar a uma escola que passou a fechar mais cedo. Tudo o resto na rotina do final do dia se mantém. Mudou apenas a forma como olho para esse “Há dias”. Com uma consciência de que é a coisa certa e sem um peso pelo que ficou lá atrás à espera do dia seguinte (mas mesmo aqui, há dias).

És criativ@?

Criatividade. Coisa que sempre achei que não tinha.

Pintas? não. Compões música/tocas? não. Fazes algum tipo de atividade artística? não. Lá se foi a criatividade.

Só que não. Porque ser criativo significa criar. Encontrar novas formas ou soluções para endereçar um tema, ultrapassar obstáculos, ser resiliente.

Ainda assim durante muito tempo não o consegui fazer/ser… sentia-me presa na rotina do dia-a-dia e com pouca capacidade para pensar diferente.

Sem perceber muito bem a relação entre as duas coisas foi quando comecei a escrever no blog e a criar na cozinha que noutras áreas da minha vida a criatividade “surgiu”. Como ser único que somos tudo está ligado e tudo se “contamina”, para o bem e para o “menos bem”.

E porquê a importância da criatividade? Não serve apenas para pensarmos fora da caixa e conseguirmos surpreender alguém com uma proposta disruptiva. Mas permite-nos sair da rotina e dar cor à nossa vida. Torna-la mais feliz e saudável.

Porque, inevitavelmente, quando estamos a criar sentimos que estamos a dar mais de nós.

Promover estes momentos de criatividade não deve ser deixado ao acaso. Conhecer-nos, implica saber o que nos inspira. O que nos permite criar. Respeitarmo-nos significa (também mas não só) reservar tempo para esses momentos de criação. Que contaminam e florescem para outras áreas da nossa vida.

A minha inspiração está, sem dúvida, na cozinha. A criar novos pratos, simples e saborosos.