Porque me mexo?

Numa semana em que começa mais um desafio do Centro de Pré e Pós Parto (CPPP), escrevo sobre o que me move a mexer o esqueleto.

Há dias relembrei que eu fui a miúda da avaliação 2 a Educação Física no 1º período do 5º ano… E convenhamos tinha uns quilinhos a mais (hei-de escrever sobre isto em breve), mas o sistema de ensino que me acompanhou até ao 12º ano nunca foi muito de incentivar mais do que os rapazes a jogar à bola.

Durante a faculdade ainda fiz umas aulas de grupo recorrentes durante um ano. Quando comecei a trabalhar não passei do mesmo e já perto dos meus 30 comecei a correr esporadicamente.

Mas foi depois de fazer o pós parto da big M, e porque o CPPP abriu aulas de grupo para quem já tinha terminado o pós-parto, que consegui manter uma rotina estável.

E o exercício físico é como a alimentação. Faz parte de um estilo de vida saudável mas precisa de consistência para se manter. E precisamos de cerca de 60 a 90 dias para transformar uma rotina num hábito. Por isso tantas pessoas fazem “dietas”, inscrevem-se em ginásios, mas passado um a dois meses começam a quebrar a rotina e, na maioria dos casos, voltam ao antigamente.

O CPPP teve um papel fundamente na minha mudança de hábitos alimentares e de exercício. Pelos desafios que foi lançando e pelo grupo de mulheres e mães fantásticas que se apoiam mutuamente.

Estes desafios evoluíram e deixaram de se focar apenas na alimentação. Parabéns por isso! Mais um empurrão a tantas mulheres e famílias para um estilo de vida mais saudável.

Eu, Mãe, me confesso…

Chego ao final do fim-de-semana, sentada no sofá a pedir mais um dia. Um dia com as crias na escola e com direito ao verdadeiro descanso.

Não me levem a mal. Adoro os miúdos, mas sei onde estão os meus limites e reconheço, em mim, as amigas que há uns anos me diziam que chegavam a domingo ansiosas pela segunda-feira. 🙂

A loucura do dia-a-dia, não deixa grande espaço para este descanso. E que falta que ele faz.

Um tempo para nós. Sem ser só aquelas 2 horas à noite, em que na verdade até já devia estar a dormir.

Eu, Mãe, me confesso:

Preciso de um fim-de-semana a 1. E de um fim-de-semana a 2.

Preciso de dias sem pensar em almoços e jantares. Sem estar sempre alguém a dizer tenho fome.

Preciso de dias em que “ops, o frigorífico está vazio… tratamos disso amanhã”.

Preciso de dias sem ter de dar banhos, a não ser que eu queira tomar banho.

Preciso de dias em que o único rabo que vou limpar é o meu :P.

Preciso de dias sem ler histórias infantis e estar 2 horas a convencer seres pequenos que chegou a hora de dormir.

Bem sei que um dia vou ter todos estes dias e sentir a falta dos que tenho hoje. Mas para viver bem estes dias eu, Mãe, me confesso preciso de tempo para mim.

“Desejo muita saúde”

Deve ser uma das frases mais desejadas na nossa cultura. Como se a saúde for um mero acaso. Dependesse da sorte.

Na verdade até de depende na medida em que nos dias de hoje pouco cuidado temos com a dita cuja. Damos a “saúde” por garantida e levamos uma vida com abundância de coisas não muito saudável, quer no prato da mesa quer no prato da vida.

Ele é o açúcar em excesso, os processados em excesso, o álcool em excesso… na verdade de tudo um pouco em excesso. Porque vivemos numa tal abundância que é difícil não nos excedermos.

Mas também é o stress em excesso, o trabalho em excesso, a exigência (muitas vezes de nós próprios) em excesso… e no meio de tudo isto esquecemos que só temos uma oportunidade de viver. Não interessa se acertamos ou não no que desejamos, porque qualquer caminho que se faça é sempre sem volta.

Em vez de desejarmos “muita saúde” deveríamos criar mais condições para a saúde. A nossa e a dos que estão mais perto de nós.

Façamos uma pausa nesta correia dos dias e vamos lá escolher os amigos da saúde.

Eu estou para os outros e os outros estão para mim

Até há muito pouco tempo atrás eu achava que tinha de estar para os outros. E que todos tinham se estar para o outro. Pensar primeiro no outro e depois em mim. Qual acto de puro altruísmo.

Até porque a história reza e assim nos ensinam a ser. A dar. A não pedir (shiuuu que é feio!)…

Mas a verdade é que se não estamos para nós. Como podemos estar verdadeiramente para os outros?

Se não nos amamos. Não nos respeitamos. Não procuramos cuidar de nós. Que moral temos para amar, respeitar e cuidar dos outros?

Não consegues “viver” com a pessoa que és, vais conseguir viver com outros? Não faz sentido.

Aprendi a estar primeiro. Amo os meus filhos mas se eu não estiver bem sei que não vou estar bem com eles nem ser a melhor para eles.

A aprendizagem mais recente é que sim, também preciso dos outros. E de formas muito distintas.

Preciso dos filhos que me amam de forma incondicional e me vêem sempre perfeita.

Preciso do companheiro que me apoia e me permite enamorar.

Preciso dos amigos a quem conto tudo. Que estão lá para apoiar as lágrimas e celebrar nos sucessos.

Preciso dos amigos dos almoços e das tardes de gargalhadas.

Preciso dos colegas de trabalho com quem troco ideias.

Preciso dos desconhecidos com interesses comuns que puxam pela minha criatividade.

Cada relação. Cada pessoa tem um papel diferente. É importante saber distinguir estes papéis para não esperarmos tudo das poucas pessoas que nos são mais próximas. Porque simplesmente podem não conseguir responder às nossas necessidades.

Eu estou para os outros. E os outros estão para mim.