Perfeita (im)perfeição

Durante muito tempo procurei ser a melhor, não melhor mas a melhor (percebo hoje que está muito relacionado com o que escrevi aqui sobre agradar).

Sentia isso na escola. Sentia isso no trabalho. E senti isso quando fui mãe. Mas nessa altura os desafios tornaram-se maiores. Porque querer ser a melhor mulher, mãe, profissional, dona de casa… tudo ao mesmo tempo é difícil. É cansativo. E na verdade, não faz sentido.

As redes sociais são tramadas e vieram aumentar esta sensação de competição e de não ser suficiente. Mostramos o que queremos. E tendencialmente mostramos o que é bom.

Mas na verdade deste lado está uma Mulher igual a tantas outras. Que não é mais, nem menos. Procura aprender com o que corre menos bem. Procura viver de forma menos intensa as emoções mais negativas. Procura partilhar ensinamentos do que corre bem na expectativa de ajudar outras famílias.

E aos 40 comecei a descobrir o quanto é perfeita está imperfeição que temos. Até porque ser perfeito ia ser apenas aborrecido… sem desafios… sem aprendizagens.

Hoje aceito (tem dias que é mais difícil) não só o que não controlo como o que até gostaria que fosse diferente.

Não procuro ser a melhor, mas procuro todos os dias aprender qualquer coisas e ser melhor.

E tu? Já cuidaste de TI hoje?

a·gra·dar 1

 – Conjugar
(a- + grado, vontade, gosto + -ar)
verbo intransitivo

1. Parecer bem ou corresponder ao que se espera. = SATISFAZER ≠ DESAGRADARverbo transitivo, intransitivo e pronominal

2. Causar ou sentir prazer, satisfação. = DELEITAR, GOSTAR ≠ DESAGRADARverbo pronominal

3. Sentir enamoramento por. = ENAMORAR-SE
“agradar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/agradar [consultado em 24-04-2021].

Este deve ser o verbo que a maioria de nós mais pratica no dia a dia. Agradar. Parecer bem ou corresponder ao esperado. Esperar, com isto, causar e sentir prazer e satisfação. Enamorar-se e levar a que se enamorem.

Os outros de nós.

Aos nossos pais com as notas escolares. Aos nossos chefes com as prestações e disposição no trabalho. Ao par que escolhemos com um jantar especial. Aos nossos filhos com mais aquela brincadeira. Aos nossos amigos com mais uma “saída” (agora nem tanto).

E a nós?

Muitas vezes esquecemos a pessoa mais importante na nossa vida: o EU.

Não somos preguiçosos porque não nos apetece estudar ou não gostamos do que estudamos.

Não somos menos dedicados porque não ficamos até mais tarde para mais uma reunião.

Não amamos menos porque o jantar ficou por favor.

Não somos pior mãe “se agora não com disposição” para mais um jogo.

Não deixamos de estar ali, se agora queremos estar sozinhos.

Saber reconhecer que precisamos de tempo para nós é reconhecer uma necessidade básica. Porque é isso que nos permite carregar baterias e estar pronto para dar mais.

Durante muito tempo não me coloquei em primeiro. Procurei nos outros a satisfação. Procurei agradar. Agora também procuro agradar, mas a mim, aos meus princípios e aos meus valores. Se eu estou bem, aí sim, eventualmente, tudo vai ficar bem. E eu seria uma melhor pessoa para todos os que me rodeiam.