Vamos a contas?

Deveria haver uma cadeira sobre contas poupança de gestão do lar. Ou será que em tempos já houve?

Poupar. Gastar. Comprar. Poupar. Controlar. O que tem isto a ver com o ser saudável?

O mesmo que escolher aquilo que comemos.

Por duas razões: porque não precisamos gastar uma fortuna para comer bem; porque se pararmos para pensar podemos estar a compensar insatisfação em compras, tal com o compensamos em alimentos.

Sou formada em Economia. Mas sou péssima para Poupanças.

Por um lado, demorei algum tempo (talvez até ter filhos) para tomar consciência da importância de poupar. Confesso que vivia muito das compras emocionais. E em diferentes fases da minha vida notei esse padrão.

Por outro lado, sou completamente avessa ao risco e não me aventuro em grandes escolhas de investimento. Ainda que tenha tido uma cadeira de mercados financeiros com o nosso Ministro das Finanças :).

Mas desde que fui mãe, desde que mudei o padrão do que comemos, comecei por gastar muito. Comprar tudo o que fosse “saudável” e “super-alimento”. Mas comecei a fazer contas. Tomar consciência. Perceber que não era sustentável. Otimizar as compras: quer na compra de local, sazonal, animais inteiros ou granel.

O planeamento ajuda-me a controlar as listas de compras. As escolhas conscientes a não gastar um dinheirão.

Esta semana vou planear as férias. As compras. As refeições. Os snacks para a praia. E vou partilhar convosco dicas para poupar e comer bem.

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Porque me mexo?

Numa semana em que começa mais um desafio do Centro de Pré e Pós Parto (CPPP), escrevo sobre o que me move a mexer o esqueleto.

Há dias relembrei que eu fui a miúda da avaliação 2 a Educação Física no 1º período do 5º ano… E convenhamos tinha uns quilinhos a mais (hei-de escrever sobre isto em breve), mas o sistema de ensino que me acompanhou até ao 12º ano nunca foi muito de incentivar mais do que os rapazes a jogar à bola.

Durante a faculdade ainda fiz umas aulas de grupo recorrentes durante um ano. Quando comecei a trabalhar não passei do mesmo e já perto dos meus 30 comecei a correr esporadicamente.

Mas foi depois de fazer o pós parto da big M, e porque o CPPP abriu aulas de grupo para quem já tinha terminado o pós-parto, que consegui manter uma rotina estável.

E o exercício físico é como a alimentação. Faz parte de um estilo de vida saudável mas precisa de consistência para se manter. E precisamos de cerca de 60 a 90 dias para transformar uma rotina num hábito. Por isso tantas pessoas fazem “dietas”, inscrevem-se em ginásios, mas passado um a dois meses começam a quebrar a rotina e, na maioria dos casos, voltam ao antigamente.

O CPPP teve um papel fundamente na minha mudança de hábitos alimentares e de exercício. Pelos desafios que foi lançando e pelo grupo de mulheres e mães fantásticas que se apoiam mutuamente.

Estes desafios evoluíram e deixaram de se focar apenas na alimentação. Parabéns por isso! Mais um empurrão a tantas mulheres e famílias para um estilo de vida mais saudável.

“Desejo muita saúde”

Deve ser uma das frases mais desejadas na nossa cultura. Como se a saúde for um mero acaso. Dependesse da sorte.

Na verdade até de depende na medida em que nos dias de hoje pouco cuidado temos com a dita cuja. Damos a “saúde” por garantida e levamos uma vida com abundância de coisas não muito saudável, quer no prato da mesa quer no prato da vida.

Ele é o açúcar em excesso, os processados em excesso, o álcool em excesso… na verdade de tudo um pouco em excesso. Porque vivemos numa tal abundância que é difícil não nos excedermos.

Mas também é o stress em excesso, o trabalho em excesso, a exigência (muitas vezes de nós próprios) em excesso… e no meio de tudo isto esquecemos que só temos uma oportunidade de viver. Não interessa se acertamos ou não no que desejamos, porque qualquer caminho que se faça é sempre sem volta.

Em vez de desejarmos “muita saúde” deveríamos criar mais condições para a saúde. A nossa e a dos que estão mais perto de nós.

Façamos uma pausa nesta correia dos dias e vamos lá escolher os amigos da saúde.

Bio-Individualidade

“Cada um é como cada qual” já a minha avó dizia, poderia eu acrescentar a esta expressão (se bem que acho que nunca a ouvi dizer isto!).

Somos todos diferentes. Temos gostos distintos. Temos aspecto distinto. Temos feitios distintos.

Mas e porque é que achamos que devemos comer todos de igual forma? Que o serve para mim serve para ti. Que o que me faz perder peso é o teu “remédio santo”. Que o que me dá energia é o que te pode deixar mais dinâmico? Que eu precisar de comer um bife ao pequeno-almoço, tu também precisas…

Somos todos diferentes. Temos a nossa bio-individualidade. Não temos as mesmas necessidades, nem a resposta às que temos é dada da mesma forma.

Muitas vezes eu própria “julguei” e achei que a minha “forma” era a “forma certa”. Mas com o tempo (e porque estamos sempre a aprender) comecei a escutar o meu corpo e a perceber o que ele precisa. E o que o meu corpo precisa não é igual ao que o teu corpo precisa.

Quando me perguntam “o que devo comer? o que achas que é melhor?” dou algumas ideias e sugestões, mas com a premissa “isto é o que funciona para mim, deves tentar perceber o que funciona para ti” dentro (é claro) do que possa ser considerado comida de verdade ;).