“Desejo muita saúde”

Deve ser uma das frases mais desejadas na nossa cultura. Como se a saúde for um mero acaso. Dependesse da sorte.

Na verdade até de depende na medida em que nos dias de hoje pouco cuidado temos com a dita cuja. Damos a “saúde” por garantida e levamos uma vida com abundância de coisas não muito saudável, quer no prato da mesa quer no prato da vida.

Ele é o açúcar em excesso, os processados em excesso, o álcool em excesso… na verdade de tudo um pouco em excesso. Porque vivemos numa tal abundância que é difícil não nos excedermos.

Mas também é o stress em excesso, o trabalho em excesso, a exigência (muitas vezes de nós próprios) em excesso… e no meio de tudo isto esquecemos que só temos uma oportunidade de viver. Não interessa se acertamos ou não no que desejamos, porque qualquer caminho que se faça é sempre sem volta.

Em vez de desejarmos “muita saúde” deveríamos criar mais condições para a saúde. A nossa e a dos que estão mais perto de nós.

Façamos uma pausa nesta correia dos dias e vamos lá escolher os amigos da saúde.

Rir para não chorar? Ou simplesmente sorrir

Hoje na praia com os miúdos, com calma, tempo “parado” e apenas a estar dei por mim a gargalhar. Com aquelas pequenas coisas que elas dizem como sendo verdades absolutas.

Na correria do dia a dia são poucas as vezes em que realmente riu com vontade. Não o sorrir por simpatia. Esse não encaixa neste “rir” que vem se dentro. Daquele que é tão característico das crianças.

Isto de sermos adultos e termos a cabeça a mil: o trabalho, o jantar, o banho dos miúdos, a marmita da escola, a conta que tem de ser paga e está na data limite, isto e aquilo… passamos o dia numa correria e lá nos vamos esqueço do prazer de uma boa gargalhada ou de simplesmente sorrir.

Mas é bom. Sabe bem e faz bem. Levanta a moral. E um excelente exercício é este de olhar para as crianças e ver e ouvir com presença como elas fazem. Sejam ou não os nosso filhos. Eles sabem rir. E contagiam.

E como vai o jantar?

Há dias em limpeza e manutenção do blog, esbarrei com um texto escrito em 2018 que não cheguei a publicar.

Escrevi sobre a dinâmica dos serões e a ginástica que fazemos entre sair do trabalho, chegar a casa, jantares, banho e dormir. Escrevi sobre como antes de ter filhos eu era das que olhava de lado para quem se “pirava” às 18:00, mas que (naquele tempo) eu tinha passado a fazer parte “desses”. Dos que não podiam estar mais tempo no escritório porque tinham de apanhar as crianças na escola, rumar a casa e entrar na roda vida dos finais de dia.

Escrevi como havia dias em que conseguíamos jantar às 19h30 para poder estar a deitar as crianças às 21h00.

Escrevi como havia dias com calma e tempo para brincar e como havia dias que a calma não chegava.

Confesso que não me lembro porque não publiquei o texto. Talvez por pensar nele mais como um desabafo. E quem quer ouvir desabafos?

Mas a verdade é que esses dias continuam assim e deveriam ser mais assim para mais pessoas. Não porque temos de ir a correr enfiar os miúdos na cama cedo, mas porque precisamos todos de mais tempo em família. De mais tempo com quem é realmente nosso.

Hoje os meus dias não são feitos a sair de um escritório, mas a sair de um tele-trabalho. Para chegar a uma escola que passou a fechar mais cedo. Tudo o resto na rotina do final do dia se mantém. Mudou apenas a forma como olho para esse “Há dias”. Com uma consciência de que é a coisa certa e sem um peso pelo que ficou lá atrás à espera do dia seguinte (mas mesmo aqui, há dias).

Bio-Individualidade

“Cada um é como cada qual” já a minha avó dizia, poderia eu acrescentar a esta expressão (se bem que acho que nunca a ouvi dizer isto!).

Somos todos diferentes. Temos gostos distintos. Temos aspecto distinto. Temos feitios distintos.

Mas e porque é que achamos que devemos comer todos de igual forma? Que o serve para mim serve para ti. Que o que me faz perder peso é o teu “remédio santo”. Que o que me dá energia é o que te pode deixar mais dinâmico? Que eu precisar de comer um bife ao pequeno-almoço, tu também precisas…

Somos todos diferentes. Temos a nossa bio-individualidade. Não temos as mesmas necessidades, nem a resposta às que temos é dada da mesma forma.

Muitas vezes eu própria “julguei” e achei que a minha “forma” era a “forma certa”. Mas com o tempo (e porque estamos sempre a aprender) comecei a escutar o meu corpo e a perceber o que ele precisa. E o que o meu corpo precisa não é igual ao que o teu corpo precisa.

Quando me perguntam “o que devo comer? o que achas que é melhor?” dou algumas ideias e sugestões, mas com a premissa “isto é o que funciona para mim, deves tentar perceber o que funciona para ti” dentro (é claro) do que possa ser considerado comida de verdade ;).