Refeições em família

Um assunto que parece ser tão simples pode na verdade ter muito que se lhe diga.

Sentar a família toda à mesa, quando se tem filhos pequenos, parece, muitas vezes, missão impossível. Seja porque o jantar fica muito tarde, seja porque na correria dos dias temos pratos distintos para diferentes faixas etárias.

Mas e quando éramos crianças era assim? E os nosso pais?

Na maioria dos casos vamos perceber que nos últimos anos complicamos a nossa vida, talvez pelo excesso de informação que vamos recebendo. Talvez porque tomamos consciência que as escolhas habituais não são as mais saudáveis e sentimos necessidade de mudanças… nos nosso filhos.

E se voltássemos aos “básicos”?

Voltar a transformar a hora da refeição num momento de partilha e convívio familiar.

Esta semana vou falar-vos de planeamento, de escolha de alimentos que nos dão (a nós e aos miúdos) a energia certa, da apresentação da mesma refeição em diferentes idades e como adaptar receitas que parecem ser só para adultos a bebés pequenos.

Terminamos a semana com um workshop para Famílias BLW. Se sentem que precisam deste empurrão vejam aqui.

Pernas de pato com risotto de funcho e laranja

Quando a Lara, Mozart in the kitchen, me convidou para participar na sua Sonata comecei longo a pensar que receitas queria partilhar com os seus seguidores.

Juntou-se a esta busca uma encomenda de frescos carregada de cabeças de funcho. A “cabeça” em si já costumamos assar e usar como acompanhamento, mas a rama não lhe dou grande utilidade. Sendo um dos meus focos aproveitar a 100% o alimento nascia o desafio. O que posso fazer com isto?

Saiu uma maravilhoso risotto de funcho e laranja, para acompanhar uma tenras pernas de pato que antes de irem ao forno a dourar, amaciaram e enriqueceram um lindo caldo para o arroz.

Ingredientes:

  • 2 pernas de pato
  • 2 cabeças de funcho com rama
  • 1 laranja
  • 100 gr de arroz risotto arborio
  • 2 chalotas picadas
  • azeite qb
  • Parmesão 
  • Flor de sal e pimenta

Preparação:

Numa panela alta colocar as penas de pato, a rama da cabeça de funcho, a casca da laranja e cobrir com água. Deixar cozinhar em lume brando durante 90m. Quando terminar retirar as pernas, secar com papel de cozinha e colocar num tabuleiro de forno junto com a cabeça de funcho aberta ao meio. Regar com azeite e levar ao forno entre 20-30m, a 200C.

Reservar o caldo para o risotto.

Refogar a chalota em azeite, juntar o arroz e ir adicionando o caldo de cozedura das pernas para que não seque. Cozinhar em lume brando. 

Terminada a cozedura do arroz juntar parmesão ralado na hora.

Temperar com flor de sal e pimenta e servir com as pernas, cabeça de funcho e laranja laminada.

Para os 40 pede rosa

Confesso que ainda tive uma breve esperança que alguém tratasse do meu bolo. Só que não. Nem por encomenda. 😅

Mas as miúdas pediram. Aniversário sem bolo é que não. Mesmo que nem o provem. Mas o bolo tem de lá estar.

Ora bem, abre o frigorífico, os armários… hummm beterrabas a precisar de “andar”! Vamos ao bolo cô rosa.

Ingredientes:

  • 200 gr de farinha de aveia
  • 100 gr de xilitol
  • 1 CC de bicarbonato de sódio
  • 4 ovos
  • 3 beterrabas médias raladas
  • 1 CS de óleo de côco

Preparação:

Pré-aquecer o forno a 180C.

Triturar as beterrabas com os ovos e o xilitol. Juntar a aveia e o bicarbonato e envolver bem.

Levar ao forno numa forma previamente untada entre 30-40 minutos.

Servir com um chá.

O nosso 4(o)

O filho do meio. Aquele que sempre ouvimos dizer que “está entalado”. Tem de se desenrascar sozinho. Não teve existência só dele e viu “roubada” a atenção de mais novo.

A minha (e sempre será assim) baby M do alto dos seus 4 anos já diz “mamã, em vez do meio posso ser da ponta?”. Percebe o que “perdeu” ainda que valorize muito o que ganhou.

Personalidade vincada, meiga “cheia de mel”, tanto grita e insiste no vestido de verão em pleno inverno (e sim, dou-lhe a vitória) como se derrete em beijos nos pais, no irmão e (tenta mas a outra não é muito dada a beijos) na irmã.

Este ano seguimos as duas com o 4.

O teu 4o aniversário. Deixaste de ser uma bebé/toddler e tens conversas tão crescidas!

O meu 40o aniversário. Não sei bem o que deixei de ser, porque quando era miúda pessoas com 40 eram velhas. E não me sinto velha. Sinto-me na minha melhor forma. Física. E mental. Aceitar o que é. Aprender a lidar com emoções sem fazer um filme digno de telenovela mexicana. E isso ganhei com a idade.

Que este que ainda está doido pela doideira do anterior, nos deixe aproveitar o presente. E simplesmente estar.