Perfeita (im)perfeição

Durante muito tempo procurei ser a melhor, não melhor mas a melhor (percebo hoje que está muito relacionado com o que escrevi aqui sobre agradar).

Sentia isso na escola. Sentia isso no trabalho. E senti isso quando fui mãe. Mas nessa altura os desafios tornaram-se maiores. Porque querer ser a melhor mulher, mãe, profissional, dona de casa… tudo ao mesmo tempo é difícil. É cansativo. E na verdade, não faz sentido.

As redes sociais são tramadas e vieram aumentar esta sensação de competição e de não ser suficiente. Mostramos o que queremos. E tendencialmente mostramos o que é bom.

Mas na verdade deste lado está uma Mulher igual a tantas outras. Que não é mais, nem menos. Procura aprender com o que corre menos bem. Procura viver de forma menos intensa as emoções mais negativas. Procura partilhar ensinamentos do que corre bem na expectativa de ajudar outras famílias.

E aos 40 comecei a descobrir o quanto é perfeita está imperfeição que temos. Até porque ser perfeito ia ser apenas aborrecido… sem desafios… sem aprendizagens.

Hoje aceito (tem dias que é mais difícil) não só o que não controlo como o que até gostaria que fosse diferente.

Não procuro ser a melhor, mas procuro todos os dias aprender qualquer coisas e ser melhor.

Bio-Individualidade

“Cada um é como cada qual” já a minha avó dizia, poderia eu acrescentar a esta expressão (se bem que acho que nunca a ouvi dizer isto!).

Somos todos diferentes. Temos gostos distintos. Temos aspecto distinto. Temos feitios distintos.

Mas e porque é que achamos que devemos comer todos de igual forma? Que o serve para mim serve para ti. Que o que me faz perder peso é o teu “remédio santo”. Que o que me dá energia é o que te pode deixar mais dinâmico? Que eu precisar de comer um bife ao pequeno-almoço, tu também precisas…

Somos todos diferentes. Temos a nossa bio-individualidade. Não temos as mesmas necessidades, nem a resposta às que temos é dada da mesma forma.

Muitas vezes eu própria “julguei” e achei que a minha “forma” era a “forma certa”. Mas com o tempo (e porque estamos sempre a aprender) comecei a escutar o meu corpo e a perceber o que ele precisa. E o que o meu corpo precisa não é igual ao que o teu corpo precisa.

Quando me perguntam “o que devo comer? o que achas que é melhor?” dou algumas ideias e sugestões, mas com a premissa “isto é o que funciona para mim, deves tentar perceber o que funciona para ti” dentro (é claro) do que possa ser considerado comida de verdade ;).