Eu, Mãe, me confesso…

Chego ao final do fim-de-semana, sentada no sofá a pedir mais um dia. Um dia com as crias na escola e com direito ao verdadeiro descanso.

Não me levem a mal. Adoro os miúdos, mas sei onde estão os meus limites e reconheço, em mim, as amigas que há uns anos me diziam que chegavam a domingo ansiosas pela segunda-feira. 🙂

A loucura do dia-a-dia, não deixa grande espaço para este descanso. E que falta que ele faz.

Um tempo para nós. Sem ser só aquelas 2 horas à noite, em que na verdade até já devia estar a dormir.

Eu, Mãe, me confesso:

Preciso de um fim-de-semana a 1. E de um fim-de-semana a 2.

Preciso de dias sem pensar em almoços e jantares. Sem estar sempre alguém a dizer tenho fome.

Preciso de dias em que “ops, o frigorífico está vazio… tratamos disso amanhã”.

Preciso de dias sem ter de dar banhos, a não ser que eu queira tomar banho.

Preciso de dias em que o único rabo que vou limpar é o meu :P.

Preciso de dias sem ler histórias infantis e estar 2 horas a convencer seres pequenos que chegou a hora de dormir.

Bem sei que um dia vou ter todos estes dias e sentir a falta dos que tenho hoje. Mas para viver bem estes dias eu, Mãe, me confesso preciso de tempo para mim.

O nosso 4(o)

O filho do meio. Aquele que sempre ouvimos dizer que “está entalado”. Tem de se desenrascar sozinho. Não teve existência só dele e viu “roubada” a atenção de mais novo.

A minha (e sempre será assim) baby M do alto dos seus 4 anos já diz “mamã, em vez do meio posso ser da ponta?”. Percebe o que “perdeu” ainda que valorize muito o que ganhou.

Personalidade vincada, meiga “cheia de mel”, tanto grita e insiste no vestido de verão em pleno inverno (e sim, dou-lhe a vitória) como se derrete em beijos nos pais, no irmão e (tenta mas a outra não é muito dada a beijos) na irmã.

Este ano seguimos as duas com o 4.

O teu 4o aniversário. Deixaste de ser uma bebé/toddler e tens conversas tão crescidas!

O meu 40o aniversário. Não sei bem o que deixei de ser, porque quando era miúda pessoas com 40 eram velhas. E não me sinto velha. Sinto-me na minha melhor forma. Física. E mental. Aceitar o que é. Aprender a lidar com emoções sem fazer um filme digno de telenovela mexicana. E isso ganhei com a idade.

Que este que ainda está doido pela doideira do anterior, nos deixe aproveitar o presente. E simplesmente estar.