Espiritualidade? Conexão? Presença?

Estar. Só estar. Focado no Agora. Aquilo que as crianças conseguem fazer durante horas quando estão focadas numa atividade e nós adultos parece que perdemos essa capacidade.

Vamos crescendo e o “Foi assim”, o “Passado”, as memórias passam a ocupar grande parte do nosso tempo. Muitas das vezes em forma de “lamento”.

Continuamos a crescer e o “Será assim”, “Se fosse assim”, “Gostava que…”, as expectativas passam a ocupar o restante tempo. Muitas vezes em forma de filme e ponderar mil e uma hipóteses. Muitas vezes a pensar demais sobre o que poderá vir e como o iremos fazer.

Demorei algum tempo a perceber (e estou longe de ser entidade) este conceito do Agora. Da atenção plena. Do Estar. Da conexão. E ainda o falho muitas vezes. Fujo para o que foi e temo o que há-de vir.

Mas começo a perceber e a viver o Agora com mais intenção. Porque o Agora daqui a pouco já foi. E o que vem entretanto já é Agora. Confuso? Mas na verdade simples.

Esta semana vou começar com intenção e atenção plena uma prática de meditação. Um eixo que sinto falta para me equilibrar no dia-a-dia.

Com passos pequenos, até porque o mais importante é o que aprendemos no caminho que fazemos e não a procura de perfeição no que fazemos.

Porque me mexo?

Numa semana em que começa mais um desafio do Centro de Pré e Pós Parto (CPPP), escrevo sobre o que me move a mexer o esqueleto.

Há dias relembrei que eu fui a miúda da avaliação 2 a Educação Física no 1º período do 5º ano… E convenhamos tinha uns quilinhos a mais (hei-de escrever sobre isto em breve), mas o sistema de ensino que me acompanhou até ao 12º ano nunca foi muito de incentivar mais do que os rapazes a jogar à bola.

Durante a faculdade ainda fiz umas aulas de grupo recorrentes durante um ano. Quando comecei a trabalhar não passei do mesmo e já perto dos meus 30 comecei a correr esporadicamente.

Mas foi depois de fazer o pós parto da big M, e porque o CPPP abriu aulas de grupo para quem já tinha terminado o pós-parto, que consegui manter uma rotina estável.

E o exercício físico é como a alimentação. Faz parte de um estilo de vida saudável mas precisa de consistência para se manter. E precisamos de cerca de 60 a 90 dias para transformar uma rotina num hábito. Por isso tantas pessoas fazem “dietas”, inscrevem-se em ginásios, mas passado um a dois meses começam a quebrar a rotina e, na maioria dos casos, voltam ao antigamente.

O CPPP teve um papel fundamente na minha mudança de hábitos alimentares e de exercício. Pelos desafios que foi lançando e pelo grupo de mulheres e mães fantásticas que se apoiam mutuamente.

Estes desafios evoluíram e deixaram de se focar apenas na alimentação. Parabéns por isso! Mais um empurrão a tantas mulheres e famílias para um estilo de vida mais saudável.

Eu, Mãe, me confesso…

Chego ao final do fim-de-semana, sentada no sofá a pedir mais um dia. Um dia com as crias na escola e com direito ao verdadeiro descanso.

Não me levem a mal. Adoro os miúdos, mas sei onde estão os meus limites e reconheço, em mim, as amigas que há uns anos me diziam que chegavam a domingo ansiosas pela segunda-feira. 🙂

A loucura do dia-a-dia, não deixa grande espaço para este descanso. E que falta que ele faz.

Um tempo para nós. Sem ser só aquelas 2 horas à noite, em que na verdade até já devia estar a dormir.

Eu, Mãe, me confesso:

Preciso de um fim-de-semana a 1. E de um fim-de-semana a 2.

Preciso de dias sem pensar em almoços e jantares. Sem estar sempre alguém a dizer tenho fome.

Preciso de dias em que “ops, o frigorífico está vazio… tratamos disso amanhã”.

Preciso de dias sem ter de dar banhos, a não ser que eu queira tomar banho.

Preciso de dias em que o único rabo que vou limpar é o meu :P.

Preciso de dias sem ler histórias infantis e estar 2 horas a convencer seres pequenos que chegou a hora de dormir.

Bem sei que um dia vou ter todos estes dias e sentir a falta dos que tenho hoje. Mas para viver bem estes dias eu, Mãe, me confesso preciso de tempo para mim.

“Desejo muita saúde”

Deve ser uma das frases mais desejadas na nossa cultura. Como se a saúde for um mero acaso. Dependesse da sorte.

Na verdade até de depende na medida em que nos dias de hoje pouco cuidado temos com a dita cuja. Damos a “saúde” por garantida e levamos uma vida com abundância de coisas não muito saudável, quer no prato da mesa quer no prato da vida.

Ele é o açúcar em excesso, os processados em excesso, o álcool em excesso… na verdade de tudo um pouco em excesso. Porque vivemos numa tal abundância que é difícil não nos excedermos.

Mas também é o stress em excesso, o trabalho em excesso, a exigência (muitas vezes de nós próprios) em excesso… e no meio de tudo isto esquecemos que só temos uma oportunidade de viver. Não interessa se acertamos ou não no que desejamos, porque qualquer caminho que se faça é sempre sem volta.

Em vez de desejarmos “muita saúde” deveríamos criar mais condições para a saúde. A nossa e a dos que estão mais perto de nós.

Façamos uma pausa nesta correia dos dias e vamos lá escolher os amigos da saúde.