Rir para não chorar? Ou simplesmente sorrir

Hoje na praia com os miúdos, com calma, tempo “parado” e apenas a estar dei por mim a gargalhar. Com aquelas pequenas coisas que elas dizem como sendo verdades absolutas.

Na correria do dia a dia são poucas as vezes em que realmente riu com vontade. Não o sorrir por simpatia. Esse não encaixa neste “rir” que vem se dentro. Daquele que é tão característico das crianças.

Isto de sermos adultos e termos a cabeça a mil: o trabalho, o jantar, o banho dos miúdos, a marmita da escola, a conta que tem de ser paga e está na data limite, isto e aquilo… passamos o dia numa correria e lá nos vamos esqueço do prazer de uma boa gargalhada ou de simplesmente sorrir.

Mas é bom. Sabe bem e faz bem. Levanta a moral. E um excelente exercício é este de olhar para as crianças e ver e ouvir com presença como elas fazem. Sejam ou não os nosso filhos. Eles sabem rir. E contagiam.

És criativ@?

Criatividade. Coisa que sempre achei que não tinha.

Pintas? não. Compões música/tocas? não. Fazes algum tipo de atividade artística? não. Lá se foi a criatividade.

Só que não. Porque ser criativo significa criar. Encontrar novas formas ou soluções para endereçar um tema, ultrapassar obstáculos, ser resiliente.

Ainda assim durante muito tempo não o consegui fazer/ser… sentia-me presa na rotina do dia-a-dia e com pouca capacidade para pensar diferente.

Sem perceber muito bem a relação entre as duas coisas foi quando comecei a escrever no blog e a criar na cozinha que noutras áreas da minha vida a criatividade “surgiu”. Como ser único que somos tudo está ligado e tudo se “contamina”, para o bem e para o “menos bem”.

E porquê a importância da criatividade? Não serve apenas para pensarmos fora da caixa e conseguirmos surpreender alguém com uma proposta disruptiva. Mas permite-nos sair da rotina e dar cor à nossa vida. Torna-la mais feliz e saudável.

Porque, inevitavelmente, quando estamos a criar sentimos que estamos a dar mais de nós.

Promover estes momentos de criatividade não deve ser deixado ao acaso. Conhecer-nos, implica saber o que nos inspira. O que nos permite criar. Respeitarmo-nos significa (também mas não só) reservar tempo para esses momentos de criação. Que contaminam e florescem para outras áreas da nossa vida.

A minha inspiração está, sem dúvida, na cozinha. A criar novos pratos, simples e saborosos.

Bio-Individualidade

“Cada um é como cada qual” já a minha avó dizia, poderia eu acrescentar a esta expressão (se bem que acho que nunca a ouvi dizer isto!).

Somos todos diferentes. Temos gostos distintos. Temos aspecto distinto. Temos feitios distintos.

Mas e porque é que achamos que devemos comer todos de igual forma? Que o serve para mim serve para ti. Que o que me faz perder peso é o teu “remédio santo”. Que o que me dá energia é o que te pode deixar mais dinâmico? Que eu precisar de comer um bife ao pequeno-almoço, tu também precisas…

Somos todos diferentes. Temos a nossa bio-individualidade. Não temos as mesmas necessidades, nem a resposta às que temos é dada da mesma forma.

Muitas vezes eu própria “julguei” e achei que a minha “forma” era a “forma certa”. Mas com o tempo (e porque estamos sempre a aprender) comecei a escutar o meu corpo e a perceber o que ele precisa. E o que o meu corpo precisa não é igual ao que o teu corpo precisa.

Quando me perguntam “o que devo comer? o que achas que é melhor?” dou algumas ideias e sugestões, mas com a premissa “isto é o que funciona para mim, deves tentar perceber o que funciona para ti” dentro (é claro) do que possa ser considerado comida de verdade ;).

(não) Comer bem é caro

Oiço muitas vezes que para comer de forma saudável se gasta muito dinheiro no supermercado. Depende. Eu já passei por isso: a mudança de comer menos bem para “melhor” passou por ir para os supermercados biológicos e fazer as compras todas lá… embalados e não embalados. Claro que assim fica difícil não aumentar a fatura.

Mas na verdade NÃO comer bem é que é caro: caro em saúde hoje e em saúde futura. A nossa e a dos nossos.

OK. Pronto, mas para não ser caro demora imenso tempo a preparar tudo, e ir às compras e escolher e ler rótulos… blá blá blá…

Sim, numa fase inicial, como em qualquer mudança, poderemos perder (eu gosto de dizer ganhar) tempo de planeamento para conseguir melhores escolhas e melhor custo.

Mas também aqui se voltarmos aos básicos (como referia aqui) tudo fica mais fácil. Como compravam os nossos pais a carne? Era só as pernas do frango ou vinha a galinha inteira (em alguns casos viva e tudo :)). E os preparados disto e daquilo? Se em vez de comprar uns douradinhos ou uma lasanha congelados (que já agora são muito menos interessantes), mas fizer eu tenho ganhos no custo e na qualidade dos alimentos. E voltar aos básicos também é não comprar certos alimentos apenas porque me dizem que são o super-alimento da moda. É comprar fruta local e da época e não carregar o carrinho com “manga de avião” em pleno inverno português.

Quanto ao tempo: é parar e planear. Investir tempo para ganhar tempo. Vou ligar o forno, o que posso fazer a mais? Como posso otimizar as compras e as rotas que faço? Cozinhar em dobro?

Cada família terá uma estratégia que melhor se adequa às suas necessidades. Mas ela existe.

Deixo de sugestão o Workshop temático 1 Galinha 3 Pratos. Em 2 horas 3 refeições e o aproveitamento de todo o animal. Tempo e custo.